Quem tem Mieloma Múltiplo ou Esclerose Múltipla pode tomar a vacina contra a Covid-19?

Com o início da vacinação contra a Covid-19, muitos pacientes portadores de Esclerose Múltipla (EM) ou de Mieloma Múltiplo (MM) têm se perguntado se podem ou não tomar a vacina. O anseio para evitar a contaminação pelo Coronavírus é grande e a ansiedade por saber a resposta a essa pergunta também.

Neste artigo vamos abordar a relação entre a vacina contra a Covid-19 e a Esclerose Múltipla, bem como a relação entre a vacina e o Mieloma Múltiplo. As informações foram levantadas com associações brasileiras e com especialistas nesses assuntos. 

Contudo, antes de tomar qualquer decisão, é importante consultar o seu médico. Isso porque apenas ele conhece o seu histórico e será capaz de indicar o caminho mais seguro para o seu caso. 

Quais são os tipos de vacina contra a Covid-19?

Antes de tudo, é importante destacar que tipos de vacina contra a Covid-19 existem atualmente. A mais comentada nos noticiários brasileiros é a CoronaVac, vacina de vírus inativado produzida pelo Instituto Butantan em parceria com o laboratório chinês Sinovac. Só no início de fevereiro, o Butantan recebeu 5,4 mil litros de insumos para produção de 8,6 milhões de doses da CoronaVac.

Os testes no Brasil conduzidos pelo Instituto apontaram uma eficácia de 50,38% da CoronaVac. Para casos leves, que exigem algum cuidado médico, a vacina tem eficácia de 78%. E nenhuma das pessoas vacinadas ficou em estado grave, foi internada ou morreu.

Além desta, também existem as vacinas desenvolvidas pela Pfizer, em parceria com a BioNTech, e pela empresa americana Moderna. Ambas usaram uma abordagem inovadora e experimental para projetar suas vacinas à base de mRNA.

E, ainda, estão na jogada as vacinas de vetor viral não replicativo, da Universidade de Oxford/Astrazeneca, produzidas em parceria com a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), responsável pela formulação e pelo envase das doses.

As vacinas disponíveis não possuem vírus atenuado (vivo).

Vacina contra a Covid-19 e Esclerose Múltipla

A Associação Brasileira de Esclerose Múltipla – (Abem) criou um conselho de Covid-19 especialmente para discutir as possíveis intercorrências que a Covid-19 pode provocar nas pessoas com EM. Isso porque muitos tratamentos da EM atuam suprimindo ou modificando o sistema imunológico e alguns medicamentos para Esclerose Múltipla podem aumentar a probabilidade de desenvolver complicações a partir da Covid-19. Contudo, a Abem ressalta que esse risco precisa ser equilibrado com os riscos de interromper ou atrasar o tratamento. Por outro lado, as evidências mostram que simplesmente ter EM não aumenta a probabilidade de que o paciente desenvolva Covid-19, fique gravemente doente ou morra devido à infecção.

A recomendação do Conselho de Covid-19 da Abem é para que as pessoas com EM continuem com o tratamento, apesar da pandemia, a menos que sejam aconselhadas a interrompê-lo pelo médico responsável pelo caso.

E a vacina?

Ainda segundo a Abem, os pacientes de EM podem tomar a vacina, mesmo aqueles que fazem uso de imunossupressores, contudo, a recomendação mais taxativa é para que o paciente tome essa decisão junto com o seu médico

Até porque, o conhecimento ainda está sendo construído, e os pacientes com Esclerose Múltipla não fizeram parte dos estudos das vacinas. As recomendações da Abem são baseadas nos mecanismos de ação das vacinas e no conhecimento dos especialistas sobre a EM.

Vacina contra a Covid-19 e Mieloma Múltiplo

Quando uma pessoa é diagnosticada com um tipo de câncer considerado raro, como é o caso do Mieloma Múltiplo, a prioridade é o tratamento da doença. Em entrevista à Associação Brasileira de Linfoma e Leucemia (Abrale), o hematologista no Hospital Sírio Libanês, Dr. Marcel Brunetto, afirmou que pacientes com MM com a doença ativa precisam manter o tratamento para evitar morbimortalidade, apesar da pandemia de Covid-19, mas recomendou que o tratamento seja individualizado para minimizar o risco de contágio. 

Professor da Universidade de São Caetano do Sul e médico associado ao American College of Physicians, Brunetto também ressalta que como o risco de recidiva do mieloma é maior sem tratamento, a terapia de manutenção não deve ser interrompida.

E a vacina?

Segundo o oncologista Dr. Felipe Ades, as vacinas com vírus atenuados (vivos) não devem ser aplicadas nos pacientes que fazem tratamento para câncer, que baixam a imunidade. Já as vacinas que se utilizam de fragmentos de vírus, vírus mortos ou parte do RNA podem ser aplicadas. No Brasil, não há vacinas de vírus atenuados.

Felipe Ades é formado na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), com especialidade em oncologia pelo Instituto Nacional de Câncer (INCA) no Rio de Janeiro, é mestre pelo Institut Gustave Roussy (Paris, França) e doutor (PhD) pelo Institut Jules Bordet (Bruxelas, Bélgica).

“Não existe uma recomendação formal para pacientes com câncer porque essas pessoas não foram incluídas nos estudos. A recomendação de tomar a vacina é feita extrapolando dados de outras vacinas que usaram as mesmas tecnologias. Por exemplo, nós já sabemos que não tem nenhum problema em quem está fazendo tratamento contra o câncer tomar vacina contra a gripe. Mas, obviamente, é preciso conversar com o seu médico”, ressaltou o Dr. Felipe, em uma live para pacientes com câncer, em seu canal do YouTube.

Vale ressaltar que a eficácia da vacina, em geral, não é alta no paciente oncológico, ainda de acordo com o Dr. Felipe. Daí a importância de que os pacientes mantenham os hábitos de prevenção à Covid-19, determinados pelos órgãos oficiais de Saúde.

Boa notícia para todos

A boa notícia sobre esse assunto, tanto para quem tem EM, como para quem tem MM, é que a disseminação da Covid-19 pode ser interrompida de maneira efetiva quando um número suficiente de pessoas for vacinado. Desta forma, com menos pessoas que poderiam ser infectadas, atinge-se a tão sonhada “imunidade de rebanho” ou imunidade coletiva.

Imunidade de rebanho é o nome que se dá ao efeito de proteção que surge em uma população quando um percentual alto de pessoas se vacinou contra uma certa doença. Com isso, justamente em decorrência da “imunidade de rebanho”, mesmo quem não está vacinado, fica protegido do patógeno causador da doença

Um exemplo clássico de vacina que produziu a tal imunidade de rebanho é a vacina contra o sarampo. Com 95% das pessoas imunizadas, o vírus não circula mais, a doença desapareceu e quem não pode tomar a vacina fica protegido.

Mas atenção!

Os cuidados para evitar a disseminação da Covid-19 não devem ser afrouxados. A recomendação de todas as entidades, tanto para pessoas com EM, quanto para pacientes com MM é que continuem usando máscaras, lavando as mãos e mantendo o distanciamento social, principalmente, evitando aglomerações. A saúde é valiosa e deve ser preservada. 

Monitoramento

Em todos os casos é importante fazer o monitoramento da doença, seja ela EM ou MM, bem como é fundamental fazer o teste de Covid-19 e acionar o seu médico, caso você sinta alguns dos sintomas da doença. O teste sorológico para Covid-19 produzido pela Binding Site apresenta 100% de sensibilidade.

Já o exame Freelite® é recomendado pelas Diretrizes Internacionais e Brasileiras para a dosagem de Cadeias Leves Livres (CLLs) Kappa (κ) e Lambda (λ) em soro e tem eficácia comprovada no diagnóstico do MM. E o Freelite® Mx, específico para amostras de Líquor, pode auxiliar no entendimento de questões relacionadas a outros métodos, contribuindo para o diagnóstico preciso da EM.

Para saber mais sobre os testes de Mieloma Múltiplo, Esclerose Múltipla ou de Covid-19, entre em contato conosco