Abril amarelo: mês de conscientização sobre os Erros Inatos da Imunidade (EII)

O mês de abril é todo dedicado à conscientização sobre os Erros Inatos da Imunidade (EII), transtornos genéticos anteriormente conhecidos como Imunodeficiências Primárias e que estão sendo cada vez mais falados – uma vez que não são tão raros como já se chegou a pensar.

O assunto vem ganhando tanta importância que foi tema de dois webinars recentes da Binding Site Brasil, com participação de renomados especialistas nacionais: a professora Dra. Anete S. Grumach, pesquisadora e responsável pela Disciplina e Laboratório de Imunologia Clínica do Centro Universitário FMABC; e o médico e imunologista Dr. Antonio Condino-Neto, Chief Medical Officer da Immunogenic.

O que é

Os EIIs são na verdade um conjunto de defeitos herdados geneticamente que alteram o funcionamento correto do sistema imunológico, o que torna as pessoas afetadas predispostas a uma série de infecções recorrentes – como otites, pneumonia, sinusites, entre outras mais graves provocadas por microrganismos incomuns.

Até 2020, foram levantados 430 desses distúrbios, causadores de 404 tipos diferentes de doenças imunológicas (alguns deles causam a mesma patologia). Os números, no entanto, não param de crescer à medida que as pesquisas avançam.

Os estudos revelam ainda que os Erros Inatos da Imunidade são mais comuns do que se imaginava. Antes, acreditava-se que os EII atingiam um para cada grupo de 10 mil pessoas. Hoje, a relação aumentou para um caso a cada 1,2 mil indivíduos.

Outro dado alarmante: de 70% a 80% dos afetados não sabem que portam algum EII.

Sintomas

Para dar mais qualidade de vida às pessoas e evitar problemas graves e irreversíveis, o diagnóstico precoce é a melhor solução. Um dos caminhos mais conhecidos é o teste do pezinho, disponível em toda rede pública de saúde e capaz de identificar alguns dos problemas genéticos – mas não todos.

Reações adversas à vacina BCG, aplicada em todo Brasil, também acendem o sinal de alerta aos EII.

Por isso, segundo a Dra. Anete, é preciso que pais e médicos fiquem atentos a dez sinais principais indicativos de EII: quatro ou mais otites por ano; duas ou mais sinusites graves em um ano; dois ou mais meses tomando antibióticos com pouca eficácia; duas ou mais pneumonias por ano; falha em ganhar peso ou crescer normalmente; abscessos cutâneos ou viscerais recorrentes; candidíase oral persistente ou infecção fúngica na pele; necessidade de aplicação intravenosa de antibióticos para controlar as infecções; duas ou mais infecções graves, incluindo sepse; e histórico familiar de Erros Inatos da Imunidade.

Pessoas afetadas com dois ou mais desses sintomas devem ser testadas para EII.

Aos adultos que não receberam diagnóstico, é preciso observar ocorrências recorrentes de infecções, alergias, autoimunidade, tumores e processos inflamatórios.

Diagnóstico

Além do teste do pezinho, outro exame da Binding Site é fundamental para a confirmação do diagnóstico de vários tipos de Erros Inatos da Imunidade. Trata-se do VaccZyme®, que faz a avaliação sorológica de resposta a diferentes tipos de vacinas pneumocócicas conjugadas – aquelas que tomamos em geral na primeira infância e nos protegem de pneumococos como a meningite, a pneumonia, otites, sinusites etc.

O VaccZyme® é utilizado na confirmação de EII uma vez que os portadores desses transtornos, mesmo depois de tomarem as vacinas, apresentam baixa produção de anticorpos. Em casos mais graves, sequer há detecção de imunoglobulinas.

O exame é o único que possibilita a avaliação simultânea de todos os 23 sorotipos passíveis de detecção após a aplicação das vacinas pneumocócicas conjugadas. 

Além do VaccZyme®, a Binding Site possui outros produtos em seu menu clínico que também podem ser utilizados para auxiliar no diagnóstico, como os kits para quantificação das Imunoglobulinas e Subclasses (IgG, IgG1, IgG2, IgG3, IgG4, IgD, IgA,IgM, IgE, IgA1, IgA2), os kits para quantificação das proteínas do sistema do complemento (C1 inibidor, C3c, C4, Ch50).

Tratamento

Mesmo acarretando centenas de patologias, em metade dos casos de EII o problema é sempre o mesmo: deficiência de anticorpos.

O tratamento é bastante variável de caso a caso, mas, em regra geral, consiste no uso de antibióticos, antivirais ou na terapia de reposição de imunoglobulinas, em casos mais sensíveis.

“É muito importante que seja feito acompanhamento frequente pelos médicos especialistas. No caso da ‘imunodeficiência primária’, normalmente não é realizado nenhum tratamento específico, se não houver nenhuma outra deficiência associada. Por outro lado, quando há deficiência de anticorpos IgG e imunodeficiência comum variável, por exemplo, é necessário que seja feita a reposição dos mesmos. Em alguns tipos mais graves, o tratamento pode ser através da realização do transplante de medula óssea”, comenta a Dra. Elyara Maria Soares, diretora científica da Binding Site Brasil.

Além disso, o acompanhamento multidisciplinar é crucial, pois vários sistemas do organismo podem estar envolvidos. A participação de cada especialidade médica dependerá de cada caso, de cada paciente.

Contato

Quer conferir os dois webinars da Binding Site Brasil sobre Erros Inatos da Imunidade? Ambos estão disponíveis em nosso canal no YouTube. Acesse e entre em contato.