A Esclerose Múltipla (EM) foi classificada como uma doença rara durante muitos anos. Hoje, no entanto, essa definição já não reflete mais a realidade.
Com o avanço dos métodos diagnósticos, a maior conscientização clínica e a ampliação do acesso a exames, o número de pessoas diagnosticadas aumentou de forma consistente – e isso não só no Brasil, mas em todo o mundo.
Paradoxalmente, o diagnóstico da EM continua sendo um grande desafio clínico, uma vez que os sintomas iniciais são sutis e muito parecidos com o de outras patologias mais incidentes.
Por isso, a doença demanda uma abordagem atenta, cuidadosa e cada vez mais apoiada por práticas laboratoriais precisas.
O que mudou na prevalência da Esclerose Múltipla?
Estudos que relacionam dados de saúde e prevalência populacional indicam que cerca de 40 mil brasileiros têm EM, com prevalência média de 8,7 a 14,5 casos por 100 mil habitantes.
O aumento dos casos diagnosticados de EM não significa, necessariamente, que a doença passou a ocorrer com mais frequência do que no passado.
Em grande parte, essa mudança reflete na verdade uma melhor capacidade de identificação da doença. E alguns fatores explicam esse mudança:
- Critérios diagnósticos mais refinados: como os novos critérios de McDonald, que indicam exames como a dosagem de cadeias leves livres kappa para apoiar a decisão clínica.
- Avanços nas técnicas de imagem: especialmente a ressonância magnética, que se tornou mais sensível para detectar lesões desmielinizantes precoces.
- Maior conhecimento médico: sobre a diversidade de quadros clínicos da EM e mais iniciativas de educação médica.
- Mais acesso aos serviços de saúde: permitindo que mais pacientes sejam examinados e, por consequência, diagnosticados.
O resultado desse conjunto de ações é que a EM deixou de ser enquadrada nos parâmetros clássicos de doença rara. Porém, esse progresso quantitativo não eliminou os obstáculos qualitativos do diagnóstico.
As variações clínicas como principal desafio diagnóstico
Um dos maiores desafios para o diagnóstico da EM é sua grande heterogeneidade. Ou seja, não existe uma “Esclerose Múltipla padrão”.
A doença pode se manifestar de formas muito diferentes de paciente para paciente. E mais, um mesmo paciente pode apresentar variações ao longo do tempo.
Outro ponto importante é que os sintomas iniciais com frequência são pouco específicos e comuns a outras patologias mais conhecidas: fadiga, dormência, formigamento, fraqueza, desequilíbrio, tontura, visão dupla ou embaçada etc.
As manifestações da EM variam de acordo com as lesões no sistema nervoso central. Além disso, fatores como idade, sexo e o contexto imunológico do indivíduo influenciam na forma como a doença se apresenta.
Esse mosaico faz com que o diagnóstico só seja alcançado com a observação cuidadosa dos sintomas – e uma correlação precisa disso com os exames de imagem e de biomarcadores.
O papel dos exames laboratoriais e dos biomarcadores
Três pilares foram a base diagnóstica da EM: os critérios clínicos, os exames de imagem (ressonância magnética) e os exames laboratoriais de biomarcadores.
Essa fundamentação é reforçada pelos novos critérios médicos de McDonald, que destaca:
- Inclusão do nervo óptico como quinto local válido para demonstrar a disseminação no espaço (DIS).
- Aceitação de lesões com sinal de veia central (CVS) e borda paramagnética na ressonância.
- Inclusão do índice kappa como marcador laboratorial complementar ao exame de bandas oligoclonais no líquor.
Este último fator está intimamente ligado ao trabalho da Binding Site. O índice kappa é o exame de cadeias leves livres kappa, o Freelite Mx Kappa – cuja alta sensibilidade permite que quantidades muito pequenas sejam detectadas, processo que pode estar associado a doenças do sistema nervoso central, como a EM.
Biomarcadores mais específicos e sensíveis, além de contribuir com um diagnóstico mais preciso, auxiliam na diferenciação entre a EM e outras condições neurológicas inflamatórias, que demandam outros tipos de tratamento.
Diagnóstico precoce: avanços, limites e a necessidade de precisão
O diagnóstico precoce da EM é um fator crítico para melhorar o prognóstico do paciente.
O tratamento iniciado já nos estágios iniciais da doença contribui muito para frear a progressão, reduzir surtos e preservar a qualidade de vida do indivíduo.
Importante: ainda mais relevante que a precocidade é a precisão diagnóstica. Subdiagnósticos ou mesmo diagnósticos equivocados podem levar a tratamentos inadequados ou mesmo desnecessários.
Portanto, é preciso sempre uma integração entre as diferentes fontes de informação clínica e laboratorial, atualização constante dos profissionais de saúde – e a parceria entre laboratórios, indústria e comunidade médica, para que a inovação esteja sempre atrelada ao rigor científico.
Precisão, sensibilidade clínica e soluções diagnósticas
Apesar de já não ser mais considerada uma doença rara, o diagnóstico da EM ainda é de alta complexidade.
Para encarar esse desafio, é preciso sensibilidade por parte de médicos e demais profissionais de saúde, precisão laboratorial na execução dos exames e soluções diagnósticas cada vez mais sensíveis por parte da indústria.
Com essas três frentes trabalhando em consonância, as decisões se tornam cada vez mais seguras, com desfechos melhores para os pacientes.
Esse é o caminho com o qual a Binding Site compactua, ao promover exames de alta sensibilidade, automatizados e objetivos, atrelados a práticas de educação médica continuada, como a iniciativa do Scientific Talks.
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